sábado, 26 de março de 2016

Um conto, dois pontos...


Dizem que quem conta um ponto aumenta um conto, digo, quem conta um ponto aumenta um ponto.

Mas quando conto um conto, eu conto mesmo e pronto.

Cada vírgula ou ponto de exclamação estão na minha história tal qual eles são, não aumento nem invento e quando a história é muito chata, apenas lamento.

Era uma vez uma menina que no meu bairro morava. Todos os dias passava resmungando e com a cara amarrada.

Certo dia lindo de sol, desses que parece filme ou novela, sai a menina de guarda chuva e com as galochas da vó dela.

Toda de mau com o mundo, chutando pedra pelo caminho, parecia até um moribundo se arrastando e puxando o carrinho.

Eu que nunca falei com ela, resolvi puxar conversa e sabe o que ela respondeu?

_Estou com pressa, problema seu !

Pra quem nunca nem me olhava, até que fiquei feliz. A resposta já era um começo pra quem só olhava o próprio nariz.

Daquele dia em diante, todos os dias me coloquei a tentar, falar com aquela guria que eu ficava só a observar.

E um dia desses nublados, onde tudo fica cinza e desbota, a menina deixou um bilhetinho no tapete da minha porta.

Achei aquilo estranho, mas resolvi abrir, e o medo que era tamanho se transformou em vontade de rir.

Dizia que ela a muito me observava e me achava esquisita e que não se aproximava por medo de macaca chita.

Eu não me achava macaca, muito menos esquisita, mas achei muito engraçado o bilhete da menina que descobri se chamar Anita.

Não fiquei brava com ela e achei até bonitinho, receber um bilhetinho com tão pouco carinho.

Pensei então, que uma bela amizade surgiria, pois estava feliz em amolecer um pouco o coração daquela guria. 
Os dias passaram e nunca mais a vi.

Foi então que descobri, Anita se mudou dali.

Carine Dias Soares
 

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