
Dizem que quem conta um ponto aumenta um conto, digo, quem conta um ponto aumenta um ponto.
Mas quando conto um conto, eu conto mesmo e pronto.
Cada vírgula ou ponto de exclamação estão na minha história tal qual eles são, não aumento nem invento e quando a história é muito chata, apenas lamento.
Era uma vez uma menina que no meu bairro morava. Todos os dias passava resmungando e com a cara amarrada.
Certo dia lindo de sol, desses que parece filme ou novela, sai a menina de guarda chuva e com as galochas da vó dela.
Toda de mau com o mundo, chutando pedra pelo caminho, parecia até um moribundo se arrastando e puxando o carrinho.
Eu que nunca falei com ela, resolvi puxar conversa e sabe o que ela respondeu?
_Estou com pressa, problema seu !
Pra quem nunca nem me olhava, até que fiquei feliz. A resposta já era um começo pra quem só olhava o próprio nariz.
Daquele dia em diante, todos os dias me coloquei a tentar, falar com aquela guria que eu ficava só a observar.
E um dia desses nublados, onde tudo fica cinza e desbota, a menina deixou um bilhetinho no tapete da minha porta.
Achei aquilo estranho, mas resolvi abrir, e o medo que era tamanho se transformou em vontade de rir.
Dizia que ela a muito me observava e me achava esquisita e que não se aproximava por medo de macaca chita.
Eu não me achava macaca, muito menos esquisita, mas achei muito engraçado o bilhete da menina que descobri se chamar Anita.
Não fiquei brava com ela e achei até bonitinho, receber um bilhetinho com tão pouco carinho.
Pensei então, que uma bela amizade surgiria, pois estava feliz em amolecer um pouco o coração daquela guria.
Os dias passaram e nunca mais a vi.
Foi então que descobri, Anita se mudou dali.
Carine Dias Soares
Mas quando conto um conto, eu conto mesmo e pronto.
Cada vírgula ou ponto de exclamação estão na minha história tal qual eles são, não aumento nem invento e quando a história é muito chata, apenas lamento.
Era uma vez uma menina que no meu bairro morava. Todos os dias passava resmungando e com a cara amarrada.
Certo dia lindo de sol, desses que parece filme ou novela, sai a menina de guarda chuva e com as galochas da vó dela.
Toda de mau com o mundo, chutando pedra pelo caminho, parecia até um moribundo se arrastando e puxando o carrinho.
Eu que nunca falei com ela, resolvi puxar conversa e sabe o que ela respondeu?
_Estou com pressa, problema seu !
Pra quem nunca nem me olhava, até que fiquei feliz. A resposta já era um começo pra quem só olhava o próprio nariz.
Daquele dia em diante, todos os dias me coloquei a tentar, falar com aquela guria que eu ficava só a observar.
E um dia desses nublados, onde tudo fica cinza e desbota, a menina deixou um bilhetinho no tapete da minha porta.
Achei aquilo estranho, mas resolvi abrir, e o medo que era tamanho se transformou em vontade de rir.
Dizia que ela a muito me observava e me achava esquisita e que não se aproximava por medo de macaca chita.
Eu não me achava macaca, muito menos esquisita, mas achei muito engraçado o bilhete da menina que descobri se chamar Anita.
Não fiquei brava com ela e achei até bonitinho, receber um bilhetinho com tão pouco carinho.
Pensei então, que uma bela amizade surgiria, pois estava feliz em amolecer um pouco o coração daquela guria.
Os dias passaram e nunca mais a vi.
Foi então que descobri, Anita se mudou dali.
Carine Dias Soares
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